A economia mundial

A economia mundial enfrenta uma fase “muito perigosa”, disse nesta terça-feira a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, advertindo durante um encontro na Nigéria sobre as possíveis consequências da crise da zona do euro nos países mais pobres.

“Atualmente a economia mundial se encontra em uma conjuntura muito perigosa”, disse Lagarde, que citou entre os fatores mais preocupantes a crise de confiança dos mercados, os altos índices de desemprego e uma desaceleração geral do crescimento.

Lagarde já havia advertido que “o que está acontecendo nas economias desenvolvidas, particularmente na Europa, é uma preocupação para qualquer um em todo o mundo”, ao desembarcar na Nigéria, a nação de maior população na África e maior produtora de petróleo do continente.

Enquanto isso, na Europa, continua a briga contra a crise. Os países membros da zona do euro reforçaram o arsenal anticrise, canalizando 150 bilhões de euros para o FMI ao mesmo tempo em que o BCE (Banco Central Europeu) aumentou seu apoio para os mercados de títulos.

Quatro países que não usam a moeda única também se comprometeram a contribuir com o FMI na empreitada, mas o Reino Unido se recusou a seguir o exemplo. Com isso, as autoridades não conseguiram alcançar a meta de 200 bilhões de euros para aliviar a crise da dívida na região.

A diretoria-gerente do FMI, Chistine Lagarde, Fala em evento do Departamento de Estado dos EUA

O Reino Unido disse que vai “definir a sua contribuição” no início de 2012, de acordo com um comunicado conjunto dos ministros das Finanças da UE (União Européia).

Ao mesmo tempo, a Alemanha continua a se opor a uma decisão anterior de aumentar o limite de 500 bilhões de euros em ajuda de emergência aos países em risco de entrar em default (suspensão de pagamentos). Os líderes europeus planejam resolver tal questão até março.

Ainda assim, a infusão do FMI e o salto em compras de títulos do BCE indicou que a Europa está empunhando mais dinheiro em vez de depender apenas de cortes nos orçamentos nacionais para reconquistar a confiança dos mercados.

Os ministros das Finanças da UE concordaram na noite passada em aumentar os recursos do FMI em cerca de 170 bilhões de euros, mas a recusa britânica de fornecer uma quantia antecipada de 30 bilhões de euros atrapalhou a meta estabelecida de chegar a 200 bilhões.

O acordo tem o intuito de fornecer poder de fogo adicional para o FMI no combate à crise da dívida na zona euro, e marcou pela segunda vez em dez dias o afastamento de Londres em relação a uma ação conjunta européia para enfrentar a situação.

“Esses recursos vão aumentar a capacidade do FMI para cumprir suas responsabilidades sistêmicas de apoiar seus membros e sua unidade, o que é especialmente importante dada a desaceleração econômica em curso e as tensões nos mercados financeiros”, disseram os ministros em um comunicado.

Fonte: Folha de São Paulo

 

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